quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Seminário PPSUS , FAPERGS nov 2012

Mais uma etapa do PROCONVIVE se finaliza. Apresentei, na tarde de ontem, para a comissão de avaliadores do PSSUS (pessoal da FAPERGS  e Ministério da Saúde na pessoa da simpática e competente Luci Scheffer) os resultados finais e suuper sintetizados para caber em 10 lâminas e 20 minutos. Saldo mega positivo. Nosso trabalho gerou burburinho e apresentou sua aplicabilidade ao SUS na forma da atenção integral em saúde, humanização e promoção de saúde. Se caracterizou, de fato, por um projeto a ser apoiado pelo PPSUS (ver abas acima), na intersecção ensino e serviço.

Na sequencia dos eventos, hoje estamos tendo um seminário dentro daquele, para a seleção de temas para o novo edital de 2013. A representante do Ministério da Saúde, ao exemplificar o tipo de projeto merecedor de apoio, diz assim, " como o projeto do capsi da professora..." e aponta pra mim, ali no meio dos pesquisadores do rio Grande do Sul, a maior parte, médicos. E a cada diretriz apresentada por ela, mais e mais nos encaixamos. Um pouco de feeling, um monte de competência, nossa, do pessoal do CAPS, na época na figura da Mariana Hollweg Dias, e da Elaine Tomasi, ao me ajudar lá nos primóridios, com o design do projeto e a cedência dos instrumentos.

E assim estamos, mais uma vez com a sensação de dever cumprido. Ah, não posso esquecer também da Dilce, da FAPERGS, que é psicóloga e disse que ficou maravilhada com nosso projeto.

Mais, é mais do mesmo. O resto eu deixo pra vocês. Acho que nunca deixaremos de ser PROCONVIVE.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Fragmentos do ambiente

Construindo o ambiente do CAPSi com João (nome fictício)


Às vezes João, 9 anos, chegava cedo pela manhã ao CAPSi, e brincava até o horário do seu grupo no fim da manhã, embora brincasse sozinho sempre esperava que alguém o acompanhasse, era esse olhar que dava algum sentido as suas brincadeiras, elas normalmente correspondiam a brincadeiras de crianças muito pequenas, ele ligava e desligava as luzes, se escondia e reaparecia atrás da almofada, e tentava insistentemente compreender os limites do que era ele e o que era o outro. João tinha poucos recursos para se integrar e para se diferenciar dos outros, João parecia perceber todas as coisas grudadas, nesse sentido, um dia João decidiu colar todos os móveis de uma das salas do CAPSi com fita adesiva, e assim fomos, a mesa se colava a cadeira que se colava a estante. Nós nos dedicamos a recriar o mundo, como ele o percebia.
Embora o corpo e as brincadeiras apresentassem menos idade, João, no auge dos seus 9 anos, já ia e voltava sozinho do serviço, tentando se cuidar como podia, embora o serviço insistisse a família nunca comparecia. João estava sempre em busca de um olhar, de um outro, as vezes ele fazia essa procura através de comportamentos agressivos, João xingava, falava palavrões, dizia que não queria ninguém por perto, fugia, tentava invadir os carros na rua, tocava insistentemente a campainha do serviço, era esse ambiente constante do CAPSi que permitia que alguém sempre estivesse lá para olhá-lo, o que o acalmava. Um dia, gritando, se trancou em uma sala, ao solicitar que ele saísse eu bati na porta, ele respondeu com a mesma batida, assim ficamos então, ele trancado para o lado de dentro e eu no lado de fora, repetíamos o som dos dedos um do outro, por uns instantes a porta foi um importante instrumento de percussão que permitia que João não precisasse de palavras para compreender que havia um outro, do outro lado, interessado em escutá-lo, aos poucos fomos mudando os ritmos, complementando as notas, até que o ritmo de um não era igual ao do outro, era complementar, ele fazia uma sequência de toques e esperava que eu fizesse a minha. João talvez não tivesse recursos para demonstrar de outro modo o quanto o mundo se tornara ameaçador, o quanto era difícil se diferenciar do outro e se relacionar sem uma porta como escudo.
Cabe dizer que para que João perceba que há um eu e um outro, será preciso muito tempo em ambiente e algumas batidas na porta, mas acredito que algo já tenha sido construído,  na saída, enquanto observávamos ele indo para casa ele se escondeu atrás de uma árvore e por alguns instantes se certificou que permaneceríamos ali, e ali estaríamos na semana seguinte quando ele voltasse, ele percebeu que é possível que haja um outro que seja constante e que possa corresponder as demandas dele.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

........ mental.


Complete o pontilhado acima com "Saúde" ou "Doença".

Em uma certa ocasião, conversava com um profissional da psicologia a respeito do meu estágio em um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). Não precisamos trocar muitas palavras para perceber que falávamos de estágios diferentes no mesmo local: em saúde mental e em psicopatologia/doença mental.
Apesar da insistência atual em se separar como “opostos” saúde e doença, esses “opostos” se atraem e fazem com que nos questionemos onde está o comum entre essas duas palavras a ponto de as unir como diferentes e não opostas.
Talvez uma pesquisa bibliográfica extensa ou mesmo curta possa responder, mas uma simples resposta para uma pergunta mudaria sua forma de completar o pontilhado acima? E mudando a forma de completar, mudaria também a forma de agir?
Longe de julgamento moral, pode-se pensar que o que muda não são apenas os nomes do estágio de saúde ou doença mental, mas também, o olhar e o tratamento que se terá sobre quem ali está.
Trabalhar com doença mental implica ver a doença, seu sintomas, melhores formas de redução disto que se apresenta tomando por base um padrão “normal” aceito socialmente. Se está, assim, correndo o risco de reduzir o sujeito em classificações diagnósticas e ações manualizadas que detém o poder da cura.
Trabalhar com saúde mental, por outro lado (na verdade um olhar diferente sobre o mesmo lado), se está priorizando a manifestação de um sujeito de desejo, autônomo e singular, com uma história de vida anterior à história de sua doença. Se está adentrando uma relação em que não se tem certo ou errado, nem poder, nem saber, nem cura. Arrisca-se no novo, na reflexão, na criatividade; arrisca-se no difícil e no desconforto.
Uma provocação: precisamos, porém, decidir se trabalhamos com saúde ou doença? Não podemos trabalhar com uma terceira opção, apenas com o “mental”?
Por enquanto, me contento com preencher o pontilhado com “Saúde” e você?

terça-feira, 10 de julho de 2012

os relatórios, as notas... a equipe

Uma delícia ter um projeto financiado por uma agência de fomento. Sonho de quase todos os pesquisadores. Eu tinha esse desejo muito forte: desenvolver um projeto que recebesse financiamento e que desse uma contrapartida à sociedade e não apenas à comunidade acadêmica. Acho que consegui. E conseguimos.
Conseguimos.
Desenvolvemos o PROCONVIVE, um convite à convivência. E levantamos dados, muitos dados. Tudo vira dado.

E as compras viram notas

E tudo isso vira um relatório



Isso não seria possível sem a presença de uma equipe maravilhosa, composta por seres humanos incríveis, na sua grande maioria, psicólogas e psicólogos em formação. Muito me orgulha ver e saber dos que saíram daqui, os caminhos que trilharam e especialmente, o caráter que têm. Gente que sabe ajudar. Gente que merece o título de gente.

Passamos por muitas transformações. Por vezes, pensamos que as transformações do nosso grupo eram as mais dolorosas, as perdas que tínhamos a cada final de ano e que eram um convite ao crescimento externo de nossa equipe. Pensamos, depois, que o mais doloroso era aplicar questionários; depois, construir um banco em SPSS; depois, preenchê-lo. Depois, as mudanças na equipe e na saúde do município. Depois, escrever o diário de campo. E, depois, terminar o projeto. Ao fim, surgem novamente as angústias que nos acompanharam, como uma sombra, a cada etapa. Tudo na tentativa de barganhar um tempo a mais.

O que foi mais difícil? impossível dizer.
Podíamos fazer um levantamento do que foi mais difícil para cada um. Teríamos respostas maravilhosas, como é o hábito do nosso grupo.

Qual é o nosso desejo nesse momento?
Talvez esse eu possa adiantar: que o nosso estudo e a nossa ação participativa criem sementes que gerem frutos. Mudamos o mundo? Certamente que não. Mudamos as políticas públicas? Não. Plantamos sementes?  Sim.
Convivemos.
Talvez o resultado efetivo seja menor que do que projetamos, posto que as mudanças inerentes aos nossos desejos - e ao nosso controle - foram muitas e inevitáveis. Mas temos resultados, especialmente na equipe de trabalho que nos avaliou, que avaliou nossa ação como muito importante, na maior parte do tempo.

Deixar dói.
Mas para que autonomia possa acontecer é preciso sair, ganhar o mundo.

Meus queridos alunos e colegas, muito obrigada.
Não existe um projeto como esse, sem uma equipe.

terça-feira, 19 de junho de 2012

meu diário de campo quantitativo

A incoerência já começa no título!
Estou terminando aqui a grande análise dos nossos dados quantitativos e fazendo o meu diário de campo de coordenadora e analista de dados. Parece a grande loucura de que falamos.
Quem montou o banco de dados sabe, a enorme quantidade de variáveis que temos, pesquisas pra uma vida toda.
E o melhor de tudo, resultados realmente interessantes, com possibilidades de melhora do lugar onde estivemos.
Mas, de verdade, ninguém merece corrigir tantos instrumentos. Eles nos dão a dimensão objetiva, captada através de perguntas objetivas e subjetivas também, além da percepção e observação participante dos entrevistadores. Eu adoro instrumentos, quem trabalha comigo sabe. Mas é uma tremenda responsabilidade essa correção, aliás, a aplicação também é, porque uma boa aplicação - como uma boa montagem de banco de dados - define todo o resto.
Tudo é dado, essa é a nossa frase: quem veio, quem não veio, porque respondeu e porque não respondeu e o que e como respondeu. Coisas demais!
Mas tudo numa tentativa de abarcar o máximo possível da realidade ambiental, física e emocional dos nossos participantes. Somados esses instrumentos à participação ativa, afetiva e competente dos bolsistas e auxiliares, vislumbramos resultados incríveis. E claro, muito, muito mais trabalho pela frente pra quem fica no local. Porque esse é o tipo de trabalho que nunca termina. Não basta um estudo e fim, é preciso formação e educação permanente.
Vamos nessa.
Não vou adiantar nada pra não perder o tal do ineditismo.
Mas tá bem legal.
Acho que a FAPERGS vai gostar. Oxalá!


quinta-feira, 7 de junho de 2012

terça-feira, 29 de maio de 2012

Humanização e PROCONVIVE - Acolhimento, Ambiência e outros

Fonte: Portal da Saúde   ( http://portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/visualizar_texto.cfm?idtxt=28345 )


A Política Nacional de Humanização atua a partir de orientações clínicas, éticas e políticas, que se traduzem em determinados arranjos de trabalho. Entenda melhor alguns conceitos que norteiam o trabalho da PNH:
Acolhimento O QUE É?           
Acolher é reconhecer o que o outro traz como legítima e singular necessidade de saúde. O acolhimento deve comparecer e sustentar a relação entre equipes/serviços e usuários/populações.  Como valor das práticas de saúde, o acolhimento é construído de forma coletiva, a partir da análise dos processos de trabalho e tem como objetivo a construção de relações de confiança, compromisso e vínculo entre as equipes/serviços,  trabalhador/equipes e usuário com sua rede sócio-afetiva.                 
COMO FAZER?                 
Com uma escuta qualificada oferecida pelos trabalhadores às necessidades do usuário, é possível garantir o acesso oportuno desses usuários a tecnologias adequadas às suas necessidades, ampliando a efetividade das práticas de saúde. Isso assegura, por exemplo, que todos sejam atendidos com prioridades a partir da avaliação de vulnerabilidade, gravidade e risco.

Gestão Participativa e cogestão O QUE É?                 
Cogestão expressa tanto a inclusão de novos sujeitos nos processos de análise e decisão quanto a ampliação das tarefas da gestão - que se transforma também em espaço de realização de análise dos contextos, da política em geral e da saúde em particular, em lugar de formulação e de pactuação de tarefas e de aprendizado coletivo.        
COMO FAZER?  
A organização e experimentação de rodas é uma importante orientação da cogestão. Rodas para colocar as diferenças em contato de modo a produzir movimentos de desestabilização que favoreçam mudanças nas práticas de gestão e de atenção.
A PNH destaca dois grupos de dispositivos de cogestão: aqueles que dizem respeito à organização de um espaço coletivo de gestão que permita o acordo entre necessidades e interesses de usuários, trabalhadores e gestores; e aqueles que se referem aos mecanismos que garantem a participação ativa de usuários e familiares no cotidiano das unidades de saúde. 
Colegiados gestores, Mesas de negociação, Contratos Internos de Gestão, Câmara Técnica de Humanização (CTH), Grupo de Trabalho de Humanização (GTH), Gerência de Porta Aberta, entre outros, são arranjos de trabalho que permitem a experimentação da cogestão no cotidiano da saúde.

Ambiência O QUE É?                 
 Criar espaços saudáveis, acolhedores e confortáveis, que respeitem a privacidade, propiciem mudanças no processo de trabalho e sejam lugares de encontro entre as pessoas. 
COMO FAZER?       
A discussão compartilhada do projeto arquitetônico, das reformas e do uso dos espaços de acordo com as necessidades de usuários e trabalhadores de cada serviço é uma orientação que pode melhorar o trabalho em saúde.

Clínica ampliada e compartilhadaO QUE É?  A clínica ampliada é uma ferramenta teórica e prática cuja finalidade é contribuir para uma abordagem clínica do adoecimento e do sofrimento, que considere a singularidade do sujeito e a complexidade do processo saúde/doença. Permite o enfrentamento da fragmentação do conhecimento e das ações de saúde e seus respectivos danos e ineficácia.
COMO FAZER?  Utilizando recursos que permitam enriquecimento dos diagnósticos (outras variáveis além do enfoque orgânico, inclusive a percepção dos afetos produzidos nas relações clínicas) e a qualificação do diálogo (tanto entre os profissionais de saúde envolvidos no tratamento quanto destes com o usuário), de modo a possibilitar decisões compartilhadas e compromissadas com a autonomia e a saúde dos usuários do SUS.

Valorização do Trabalhador O QUE É?                        
 É importante dar visibilidade à experiência dos trabalhadores e incluí-los na tomada de decisão, apostando na sua capacidade de analisar, definir e qualificar os processos de trabalho.  
COMO FAZER?              
O Programa de Formação em Saúde e Trabalho e a Comunidade Ampliada de Pesquisa são possibilidades que tornam possível o diálogo, intervenção e análise do que gera sofrimento e adoecimento, do que fortalece o grupo de trabalhadores e do que propicia os acordos de como agir no serviço de saúde. É importante também assegurar a participação dos trabalhadores nos espaços coletivos de gestão.
 
Defesa dos Direitos dos Usuários O QUE É?            
Os usuários de saúde possuem direitos garantidos por lei e os serviços de saúde devem incentivar o conhecimento desses direitos e assegurar que eles sejam cumpridos em todas as fases do cuidado, desde a recepção até a alta.            
COMO FAZER?              
Todo cidadão tem direito a uma equipe que cuide dele, de ser informado sobre sua saúde e também de decidir sobre compartilhar ou não sua dor e alegria com sua rede social.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Pensando a construção das redes de saúde: um novo projeto.


No dia 16 de maio, em Santa Maria, alguns serviços de saúde mental anteciparam a comemoração do dia da luta antimanicomial (que ocorre, nacionalmente, no dia 18 de maio) e do aniversário da cidade. Ainda que apenas os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) tenham participado desse momento, ressaltamos que o panorama atual da cidade, relativamente ao atendimento à saúde da população, é muito mais amplo. Em seus 154 anos, o município conta com um CAPS II (Prado Veppo), um CAPSad (Caminhos do Sol), um CAPSad infanto-juvenil (Companhia do Recomeço) e um CAPSi (O Equilibrista), além do Ambulatório de Saúde Mental, Unidades Básicas de Saúde, Estratégias de Saúde da Família, Centros de Referência de Assistência Social, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social, clínicas-escola, o Hospital Universitário de Santa Maria e diversos outros dispositivos que tentam formar uma rede de atenção à saúde. Dizemos formar porque, no cenário presente, ainda que tenhamos vários serviços voltados ao acolhimento da população santamariense (e região), pouca articulação se vê entre eles. Há pouco diálogo entre as instituições e pouco conhecimento sobre o encargo de cada uma delas.

Quais demandas são acolhidas nos CAPS? Que pacientes posso encaminhar ao Ambulatório? Que tipo de trabalho se faz no CRAS?

O isolamento dos serviços em suas próprias alocações influencia diretamente no funcionamento geral da saúde no município. Encaminhamentos mal pensados ou baseados no que “eu acho” auxiliam nas famosas “listas de espera” dos serviços, que não dão conta de receber toda a demanda que é encaminhada. O processo de acolhimento (ou de triagem, dependendo da instituição de que falamos) pode ser extenso, levando até meses. Em algumas situações, o caso apresentado pode ser de tal complexidade que, de fato, pensar um local para tratamento requer uma análise ampla do que é exposto pelo indivíduo. No entanto, conhecer as equipes de cada serviço e o seu funcionamento torna-se fundamental para a construção do que entendemos como rede:

A rede de atenção à saúde é composta pelo conjunto de serviços e equipamentos de saúde que se dispõe num determinado território geográfico (...). Estes serviços são como os nós de uma rede: uma unidade básica de saúde, um hospital geral, um centro de atenção psicossocial, um conselho municipal de saúde, etc. Entretanto, a construção de uma rede na saúde implica mais do que ofertas de serviços num mesmo território geográfico. Implica colocarmos em questão: como estes serviços estão se relacionando? Qual o padrão comunicacional estabelecido entre as diferentes equipes e os diferentes serviços? Que modelos de atenção e de gestão estão sendo produzidos nestes serviços? A construção de redes se apresenta como uma tarefa complexa, exigindo a implementação de tecnologias que qualifiquem os encontros entre diferentes serviços, especialidades e saberes. Ter mais serviços e mais equipamentos é fundamental, mas não basta. É preciso também garantir que a ampliação da cobertura em saúde seja acompanhada de uma ampliação da comunicação entre os serviços, resultando em processos de atenção e gestão mais eficientes e eficazes, que construam a integralidade da atenção. São esses processos de interação entre os serviços e destes com outros movimentos e políticas sociais que fazem com que as redes de atenção sejam sempre produtoras de saúde num dado território (Ministério da Saúde, 2009, p.8).

O primordial para o funcionamento em rede é o diálogo e a relação entre os diferentes serviços. Como desenvolvê-lo, quando não se compreende o fazer da instituição? É nesse sentido que propomos a apresentação dos diversos serviços encontrados na nossa cidade, buscando caracterizá-los. Nós, estudantes, estagiários e extensionistas, ainda vinculados à Universidade e amparados por esse vínculo, somos também responsáveis pelo auxílio nessa complexa construção da rede. É fundamental que, do lugar de “estrangeiros” que ocupamos brevemente nessas instituições, possamos questionar o funcionamento de cada uma delas e do papel que ocupam no contexto municipal. Para tal, também precisamos conhecê-las. Precisamos saber o que, teoricamente, se propõe para as suas atuações e quais são seus limites. Nas próximas postagens, nossas discussões se darão nessa direção, para que possamos juntos conhecer a rede que estamos ajudando a construir.

REFERÊNCIA
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de atenção à saúde. Política Nacional de Humanização e Gestão do SUS. Redes de Produção de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Espaço para brincar

Imagem retirada hoje no pátio do CAPSi, 2 das casinhas obtidas com dinheiro do edital 002/2009 PPSUS/FAPERGS - DECIT/SCTIE/MS,CNPq, SES/RS sob o número de processo 09/0098-2

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Continuando com ´Alice através do espelho e o que ela encontrou por lá´...



Neste livro, escrito por Lewis Carrol, posteriormente ao clássico ´Alice no país das maravilhas´, a nossa personagem, uma menina de 7 anos de idade, embarca mais uma vez em aventuras, em seu universo imaginário... onde as coisas podem ser ao contrário, como de fato o são no país do espelho...
Como pode ser visto na passagem em que Alice encontra-se com os gêmeos Tweedledum e Tweedledee, essas personagens colocam em questão sua existência e ela, mesmo incrédula, sente-se frágil, chora...
Fico pensando, do que depende a existência de uma criança?
Em parte(ou bem mais que isso), depende claramente desse olhar de um outro, de alguém que por vezes seja Espelho, percebendo e refletindo suas angustias, mas que também seja segurança, no sentido de apostar no ser, e no vir a ser...

De início, logo que chega ao país do espelho, Alice denuncia: `Acho que não podem me escutar... e tenho quase certeza de que não podem me ver. Alguma coisa me diz que estou invisível...`
E tem muita criança invisível por aí, que não recebe nenhuma espécie de olhar enquanto sujeito, é ´só uma criança´, aí precisa se refugiar em seu universo imaginário. Algumas conseguem retornar, jogando e transitando entre os dois mundos (interno e externo), outras não.


Obs: A imagem acima foi fotografada por Elena Kalis, em um ensaio fotográfico chamado Alice in Waterland.

sábado, 14 de abril de 2012

O que há através do espelho?


'Agora está sonhando', observou Tweedledee. 'Com que acha que ele sonha?'
Alice disse: 'Isso ninguém pode saber.'
'Ora, com você!' Tweedledee exclamou, batendo palmas triunfante. 'E se parasse de sonhar com você,onde acha que você estaria?'
'Onde estou agora, é claro,' respondeu Alice.
'Não, não!' Tweedledee retrucou, desdenhoso. 'Não estaria em lugar algum. Ora, você é só uma espécie de coisa do sonho dele!'
'Se o Rei acordasse', acrescentou Tweedledum, 'você sumiria... puf!... exatamente como uma vela!'
'Não sumiria!' Alice exclamou indignada. 'Além disso, se sou só uma espécie de coisa no sonho dele, gostaria de saber o que vocês são?'
'Idem', disse Tweedledum.
'Idem, ibidem', gritou Tweedledee.
E gritou tão alto que Alice não pode se impedir de dizer: 'Psss! Receio que vá acordá-lo se fizer tanto barulho.'
'Bem, não adianta você falar sobre acordá-lo', disse Tweedledum, 'quando não passa de uma das coisas do sonho dele. Você sabe muito bem que não é real.'
'Eu sou real!' disse Alice e começou a chorar.
'Não vai ficar nem um pingo mais real chorando', observou Tweedledee. 'Não há motivo para choro.'
'Se eu não fosse real', disse Alice – meio rindo por entre as lágrimas, tão absurdo aquilo tudo parecia – 'não conseguiria chorar.'
'Espero que não imagine que suas lágrimas são reais!' Tweedledee interrompeu-a, num tom de profundo desdém."

GARDNER, Martin ; CARROLL, Lewis. Alice, edição comentada. Ed. Jorge Zahar: Rio de Janeiro, 2002.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Do que é nosso

O Ernesto Venturini, falando sobre a mudança no paradigma psiquiátrico (num enlace com as questões da Reforma Psiquiátrica), apresenta umas ideias que muito se aproximam do que buscamos construir, enquanto grupo, nas nossas práticas no CAPSi:

"A física moderna, a partir da teoria da relatividade de Albert Einstein, abandonou as certezas lineares de Newton: o universo se constitui, desde o início, na organização turbulenta, na instabilidade, no desvio, na improbabilidade. (...) A crise nas ciências exatas, matemáticas, se faz refletir nas ciências do homem e da sociedade. O observador é reintegrado na observação, e o observado foge ao conceito de objeto. A sua diversidade torna-se valor, o conflito é desejado como potencialidade inovadora e a desordem é o pressuposto do ato terapêutico (...)."

Desde o início dos nossos encontros conversamos sobre o caos. Sobre os caos. Acredito (e espero) que criamos poucas "certezas" durante o percurso do projeto. No entanto, passamos a entender a nossa proximidade com essa confusão, a nossa intimidade com o que há de primitivo e de desorganizado - que não está só fora, que não é só do outro. Esse conhecimento, ao invés de nos fazer recuar frente as nossas propostas no serviço, pôde fazer com que nos voltássemos a elas de forma mais madura, mais realista. É no caos que trabalhamos? É a partir do caos que trabalhamos.


(O trecho é do Prefácio à Primeira Edição do livro "Loucos pela Vida", do Paulo Amarante).

quinta-feira, 29 de março de 2012

Arte e saude mental: memorias que ficam na parede

Imagem retirada de uma das salas do CAPSi onde foram feitas composicoes com colagem.
Autores pacientes e tecnicos do CAPSi.

Clínica ampliada e PROCONVIVE


Os eixos fundamentais da clínica ampliada são aqueles que norteiam as ações do PROCONVIVE, em todos os níveis: pesquisa, extensão e ensino.
ver: Clínica ampliada e compartilhada, Ministério da SaúdeCadernos HumanizaSUS

quarta-feira, 28 de março de 2012

Cartilha Promoção de Saúde na Infância

Parece que na finaleira estamos reaquecendo os motores.
Ontem tivemos mais um momento emblemático do projeto PROCONVIVE. Pra quem não sabe, terminamos a pesquisa, desenvolvemos subprojetos, defendemos monografias e um dissertação de mestrado até o momento. Injusto escrever em duas linhas.
Corremos atrás de resultados, apresentamos trabalhos. Corremos também pelo dia-a-dia lá no CAPS.
E ontem tivemos uma reunião sobre a nossa cartilha de promoção de saúde na infância. Parece que a gente virou uma página, que fechamos um volume. Pode ser coisa minha, mas assim me pareceu: depois de tanto discutir o que é patologia, o que é social, o que é individual, o que é reforma, o que é SUS falamos sobre o que é ser uma criança no meio desse mundo maluco. E pensamos em como falar com os pais, como nos dirigir a eles, como ensinar um cuidado que muitos acreditam ser inato.Pois não é e os CAPS, bem como outros locais de atendimento, nos mostram que cuidar é algo que se precisa aprender. E rápido.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Reiniciando as escritas no blog

Um dia, quando ainda era criança, eu pensei o quão incrível era poder escrever, poder registrar tantas coisas no papel, criar, pensar, mudar e recriar. Sempre achei que através da escrita algo de mágico se fazia, ficava um registro, era uma forma de qualquer mente desavisada dos incidentes que ocorrem com a memória, ou com a falta dela, não perder o que tinha de mais singular, de mais seu. Um tempo depois, percebi que mais mágico do que guardar nossas idéias, era poder compartilhar elas com os outros, ou ainda, compartilhar das idéias dos outros. Entendi que, sempre que há um alguém disposto a escrever, e compartilhar, e um outro alguém disposto a ler, há uma ligação entre duas pessoas, uma relação.
Algum tempo depois, estou eu aqui, junto com um grupo, onde estamos todos dispostos a escrever um pouquinho sobre nossas experiências acreditando que outras pessoas vão ler, pensar e comentar, criando uma nova rede de relações, a fim de pensar saúde mental, infância, psicologia, saúde coletiva entre outros.