No dia 16 de maio, em Santa
Maria, alguns serviços de saúde mental anteciparam a comemoração do dia da luta
antimanicomial (que ocorre, nacionalmente, no dia 18 de maio) e do aniversário
da cidade. Ainda que apenas os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) tenham
participado desse momento, ressaltamos que o panorama atual da cidade,
relativamente ao atendimento à saúde da população, é muito mais amplo. Em seus
154 anos, o município conta com um CAPS II (Prado Veppo), um CAPSad (Caminhos
do Sol), um CAPSad infanto-juvenil (Companhia do Recomeço) e um CAPSi (O
Equilibrista), além do Ambulatório de Saúde Mental, Unidades Básicas de Saúde,
Estratégias de Saúde da Família, Centros de Referência de Assistência Social, o
Centro de Referência Especializado de Assistência Social, clínicas-escola, o
Hospital Universitário de Santa Maria e diversos outros dispositivos que tentam
formar uma rede de atenção à saúde.
Dizemos formar porque, no cenário presente, ainda que tenhamos vários serviços
voltados ao acolhimento da população santamariense (e região), pouca
articulação se vê entre eles. Há pouco diálogo entre as instituições e pouco
conhecimento sobre o encargo de cada uma delas.
Quais demandas são acolhidas nos
CAPS? Que pacientes posso encaminhar ao Ambulatório? Que tipo de trabalho se
faz no CRAS?
O isolamento dos serviços em suas
próprias alocações influencia diretamente no funcionamento geral da saúde no
município. Encaminhamentos mal pensados ou baseados no que “eu acho” auxiliam
nas famosas “listas de espera” dos serviços, que não dão conta de receber toda
a demanda que é encaminhada. O processo de acolhimento (ou de triagem,
dependendo da instituição de que falamos) pode ser extenso, levando até meses.
Em algumas situações, o caso apresentado pode ser de tal complexidade que, de
fato, pensar um local para tratamento requer uma análise ampla do que é exposto
pelo indivíduo. No entanto, conhecer as equipes de cada serviço e o seu
funcionamento torna-se fundamental para a construção do que entendemos como
rede:
A rede de atenção à saúde é composta pelo conjunto de serviços e
equipamentos de saúde que se dispõe num determinado território geográfico (...).
Estes serviços são como os nós de uma rede: uma unidade básica de saúde, um
hospital geral, um centro de atenção psicossocial, um conselho municipal de
saúde, etc. Entretanto, a construção de uma rede na saúde implica mais do que ofertas
de serviços num mesmo território geográfico. Implica colocarmos em questão:
como estes serviços estão se relacionando? Qual o padrão comunicacional
estabelecido entre as diferentes equipes e os diferentes serviços? Que modelos
de atenção e de gestão estão sendo produzidos nestes serviços? A construção de
redes se apresenta como uma tarefa complexa, exigindo a implementação de
tecnologias que qualifiquem os encontros entre diferentes serviços,
especialidades e saberes. Ter mais serviços e mais equipamentos é fundamental,
mas não basta. É preciso também garantir que a ampliação da cobertura em saúde
seja acompanhada de uma ampliação da comunicação entre os serviços, resultando em
processos de atenção e gestão mais eficientes e eficazes, que construam a
integralidade da atenção. São esses processos de interação entre os serviços e
destes com outros movimentos e políticas sociais que fazem com que as redes de
atenção sejam sempre produtoras de saúde num dado território (Ministério da
Saúde, 2009, p.8).
O primordial
para o funcionamento em rede é o diálogo e a relação entre os diferentes
serviços. Como desenvolvê-lo, quando não se compreende o fazer da instituição? É nesse sentido que propomos a apresentação
dos diversos serviços encontrados na nossa cidade, buscando caracterizá-los.
Nós, estudantes, estagiários e extensionistas, ainda vinculados à Universidade
e amparados por esse vínculo, somos também responsáveis pelo auxílio nessa
complexa construção da rede. É fundamental que, do lugar de “estrangeiros” que
ocupamos brevemente nessas instituições, possamos questionar o funcionamento de
cada uma delas e do papel que ocupam no contexto municipal. Para tal, também
precisamos conhecê-las. Precisamos saber o que, teoricamente, se propõe para as
suas atuações e quais são seus limites. Nas próximas postagens, nossas discussões
se darão nessa direção, para que possamos juntos conhecer a rede que estamos
ajudando a construir.
REFERÊNCIA
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de atenção à saúde. Política Nacional de Humanização e Gestão do SUS. Redes de Produção de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.
Um comentário:
Isso aí pessoal! esse é o nosso objetivo. Quando, certa vez, fui perguntada sobre como o PROCONVIVE poderia ser aplicado em outros serviços, era disso que estávamos falando: em aplicar uma forma de SER, que tem tudo a ver como Humanização ( http://portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/area.cfm?id_area=1342 ). Temos que ter em mente que TUDO, absolutamente tudo começa com as pessoas e nas pessoas. Leis e documentos de nada valem se não houver PESSOAS do outro lado.
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