quarta-feira, 25 de abril de 2012

Espaço para brincar

Imagem retirada hoje no pátio do CAPSi, 2 das casinhas obtidas com dinheiro do edital 002/2009 PPSUS/FAPERGS - DECIT/SCTIE/MS,CNPq, SES/RS sob o número de processo 09/0098-2

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Continuando com ´Alice através do espelho e o que ela encontrou por lá´...



Neste livro, escrito por Lewis Carrol, posteriormente ao clássico ´Alice no país das maravilhas´, a nossa personagem, uma menina de 7 anos de idade, embarca mais uma vez em aventuras, em seu universo imaginário... onde as coisas podem ser ao contrário, como de fato o são no país do espelho...
Como pode ser visto na passagem em que Alice encontra-se com os gêmeos Tweedledum e Tweedledee, essas personagens colocam em questão sua existência e ela, mesmo incrédula, sente-se frágil, chora...
Fico pensando, do que depende a existência de uma criança?
Em parte(ou bem mais que isso), depende claramente desse olhar de um outro, de alguém que por vezes seja Espelho, percebendo e refletindo suas angustias, mas que também seja segurança, no sentido de apostar no ser, e no vir a ser...

De início, logo que chega ao país do espelho, Alice denuncia: `Acho que não podem me escutar... e tenho quase certeza de que não podem me ver. Alguma coisa me diz que estou invisível...`
E tem muita criança invisível por aí, que não recebe nenhuma espécie de olhar enquanto sujeito, é ´só uma criança´, aí precisa se refugiar em seu universo imaginário. Algumas conseguem retornar, jogando e transitando entre os dois mundos (interno e externo), outras não.


Obs: A imagem acima foi fotografada por Elena Kalis, em um ensaio fotográfico chamado Alice in Waterland.

sábado, 14 de abril de 2012

O que há através do espelho?


'Agora está sonhando', observou Tweedledee. 'Com que acha que ele sonha?'
Alice disse: 'Isso ninguém pode saber.'
'Ora, com você!' Tweedledee exclamou, batendo palmas triunfante. 'E se parasse de sonhar com você,onde acha que você estaria?'
'Onde estou agora, é claro,' respondeu Alice.
'Não, não!' Tweedledee retrucou, desdenhoso. 'Não estaria em lugar algum. Ora, você é só uma espécie de coisa do sonho dele!'
'Se o Rei acordasse', acrescentou Tweedledum, 'você sumiria... puf!... exatamente como uma vela!'
'Não sumiria!' Alice exclamou indignada. 'Além disso, se sou só uma espécie de coisa no sonho dele, gostaria de saber o que vocês são?'
'Idem', disse Tweedledum.
'Idem, ibidem', gritou Tweedledee.
E gritou tão alto que Alice não pode se impedir de dizer: 'Psss! Receio que vá acordá-lo se fizer tanto barulho.'
'Bem, não adianta você falar sobre acordá-lo', disse Tweedledum, 'quando não passa de uma das coisas do sonho dele. Você sabe muito bem que não é real.'
'Eu sou real!' disse Alice e começou a chorar.
'Não vai ficar nem um pingo mais real chorando', observou Tweedledee. 'Não há motivo para choro.'
'Se eu não fosse real', disse Alice – meio rindo por entre as lágrimas, tão absurdo aquilo tudo parecia – 'não conseguiria chorar.'
'Espero que não imagine que suas lágrimas são reais!' Tweedledee interrompeu-a, num tom de profundo desdém."

GARDNER, Martin ; CARROLL, Lewis. Alice, edição comentada. Ed. Jorge Zahar: Rio de Janeiro, 2002.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Do que é nosso

O Ernesto Venturini, falando sobre a mudança no paradigma psiquiátrico (num enlace com as questões da Reforma Psiquiátrica), apresenta umas ideias que muito se aproximam do que buscamos construir, enquanto grupo, nas nossas práticas no CAPSi:

"A física moderna, a partir da teoria da relatividade de Albert Einstein, abandonou as certezas lineares de Newton: o universo se constitui, desde o início, na organização turbulenta, na instabilidade, no desvio, na improbabilidade. (...) A crise nas ciências exatas, matemáticas, se faz refletir nas ciências do homem e da sociedade. O observador é reintegrado na observação, e o observado foge ao conceito de objeto. A sua diversidade torna-se valor, o conflito é desejado como potencialidade inovadora e a desordem é o pressuposto do ato terapêutico (...)."

Desde o início dos nossos encontros conversamos sobre o caos. Sobre os caos. Acredito (e espero) que criamos poucas "certezas" durante o percurso do projeto. No entanto, passamos a entender a nossa proximidade com essa confusão, a nossa intimidade com o que há de primitivo e de desorganizado - que não está só fora, que não é só do outro. Esse conhecimento, ao invés de nos fazer recuar frente as nossas propostas no serviço, pôde fazer com que nos voltássemos a elas de forma mais madura, mais realista. É no caos que trabalhamos? É a partir do caos que trabalhamos.


(O trecho é do Prefácio à Primeira Edição do livro "Loucos pela Vida", do Paulo Amarante).