Complete o pontilhado acima com "Saúde" ou
"Doença".
Em uma certa ocasião, conversava com um profissional da psicologia
a respeito do meu estágio em um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). Não
precisamos trocar muitas palavras para perceber que falávamos de estágios
diferentes no mesmo local: em saúde mental e em psicopatologia/doença mental.
Apesar da insistência atual em se separar como “opostos” saúde
e doença, esses “opostos” se atraem e fazem com que nos questionemos onde está
o comum entre essas duas palavras a ponto de as unir como diferentes e não
opostas.
Talvez uma pesquisa bibliográfica extensa ou mesmo curta
possa responder, mas uma simples resposta para uma pergunta mudaria sua forma
de completar o pontilhado acima? E mudando a forma de completar, mudaria também
a forma de agir?
Longe de julgamento moral, pode-se pensar que o que muda não
são apenas os nomes do estágio de saúde ou doença mental, mas também, o olhar e
o tratamento que se terá sobre quem ali está.
Trabalhar com doença mental implica ver a doença, seu sintomas,
melhores formas de redução disto que se apresenta tomando por base um padrão “normal”
aceito socialmente. Se está, assim, correndo o risco de reduzir o sujeito em
classificações diagnósticas e ações manualizadas que detém o poder da cura.
Trabalhar com saúde mental, por outro lado (na verdade um
olhar diferente sobre o mesmo lado), se está priorizando a manifestação de um
sujeito de desejo, autônomo e singular, com uma história de vida anterior à
história de sua doença. Se está adentrando uma relação em que não se tem certo
ou errado, nem poder, nem saber, nem cura. Arrisca-se no novo, na reflexão, na
criatividade; arrisca-se no difícil e no desconforto.
Uma provocação: precisamos, porém, decidir se trabalhamos
com saúde ou doença? Não podemos trabalhar com uma terceira opção, apenas com o
“mental”?
Por enquanto, me contento com preencher o pontilhado com “Saúde”
e você?


