terça-feira, 29 de maio de 2012

Humanização e PROCONVIVE - Acolhimento, Ambiência e outros

Fonte: Portal da Saúde   ( http://portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/visualizar_texto.cfm?idtxt=28345 )


A Política Nacional de Humanização atua a partir de orientações clínicas, éticas e políticas, que se traduzem em determinados arranjos de trabalho. Entenda melhor alguns conceitos que norteiam o trabalho da PNH:
Acolhimento O QUE É?           
Acolher é reconhecer o que o outro traz como legítima e singular necessidade de saúde. O acolhimento deve comparecer e sustentar a relação entre equipes/serviços e usuários/populações.  Como valor das práticas de saúde, o acolhimento é construído de forma coletiva, a partir da análise dos processos de trabalho e tem como objetivo a construção de relações de confiança, compromisso e vínculo entre as equipes/serviços,  trabalhador/equipes e usuário com sua rede sócio-afetiva.                 
COMO FAZER?                 
Com uma escuta qualificada oferecida pelos trabalhadores às necessidades do usuário, é possível garantir o acesso oportuno desses usuários a tecnologias adequadas às suas necessidades, ampliando a efetividade das práticas de saúde. Isso assegura, por exemplo, que todos sejam atendidos com prioridades a partir da avaliação de vulnerabilidade, gravidade e risco.

Gestão Participativa e cogestão O QUE É?                 
Cogestão expressa tanto a inclusão de novos sujeitos nos processos de análise e decisão quanto a ampliação das tarefas da gestão - que se transforma também em espaço de realização de análise dos contextos, da política em geral e da saúde em particular, em lugar de formulação e de pactuação de tarefas e de aprendizado coletivo.        
COMO FAZER?  
A organização e experimentação de rodas é uma importante orientação da cogestão. Rodas para colocar as diferenças em contato de modo a produzir movimentos de desestabilização que favoreçam mudanças nas práticas de gestão e de atenção.
A PNH destaca dois grupos de dispositivos de cogestão: aqueles que dizem respeito à organização de um espaço coletivo de gestão que permita o acordo entre necessidades e interesses de usuários, trabalhadores e gestores; e aqueles que se referem aos mecanismos que garantem a participação ativa de usuários e familiares no cotidiano das unidades de saúde. 
Colegiados gestores, Mesas de negociação, Contratos Internos de Gestão, Câmara Técnica de Humanização (CTH), Grupo de Trabalho de Humanização (GTH), Gerência de Porta Aberta, entre outros, são arranjos de trabalho que permitem a experimentação da cogestão no cotidiano da saúde.

Ambiência O QUE É?                 
 Criar espaços saudáveis, acolhedores e confortáveis, que respeitem a privacidade, propiciem mudanças no processo de trabalho e sejam lugares de encontro entre as pessoas. 
COMO FAZER?       
A discussão compartilhada do projeto arquitetônico, das reformas e do uso dos espaços de acordo com as necessidades de usuários e trabalhadores de cada serviço é uma orientação que pode melhorar o trabalho em saúde.

Clínica ampliada e compartilhadaO QUE É?  A clínica ampliada é uma ferramenta teórica e prática cuja finalidade é contribuir para uma abordagem clínica do adoecimento e do sofrimento, que considere a singularidade do sujeito e a complexidade do processo saúde/doença. Permite o enfrentamento da fragmentação do conhecimento e das ações de saúde e seus respectivos danos e ineficácia.
COMO FAZER?  Utilizando recursos que permitam enriquecimento dos diagnósticos (outras variáveis além do enfoque orgânico, inclusive a percepção dos afetos produzidos nas relações clínicas) e a qualificação do diálogo (tanto entre os profissionais de saúde envolvidos no tratamento quanto destes com o usuário), de modo a possibilitar decisões compartilhadas e compromissadas com a autonomia e a saúde dos usuários do SUS.

Valorização do Trabalhador O QUE É?                        
 É importante dar visibilidade à experiência dos trabalhadores e incluí-los na tomada de decisão, apostando na sua capacidade de analisar, definir e qualificar os processos de trabalho.  
COMO FAZER?              
O Programa de Formação em Saúde e Trabalho e a Comunidade Ampliada de Pesquisa são possibilidades que tornam possível o diálogo, intervenção e análise do que gera sofrimento e adoecimento, do que fortalece o grupo de trabalhadores e do que propicia os acordos de como agir no serviço de saúde. É importante também assegurar a participação dos trabalhadores nos espaços coletivos de gestão.
 
Defesa dos Direitos dos Usuários O QUE É?            
Os usuários de saúde possuem direitos garantidos por lei e os serviços de saúde devem incentivar o conhecimento desses direitos e assegurar que eles sejam cumpridos em todas as fases do cuidado, desde a recepção até a alta.            
COMO FAZER?              
Todo cidadão tem direito a uma equipe que cuide dele, de ser informado sobre sua saúde e também de decidir sobre compartilhar ou não sua dor e alegria com sua rede social.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Pensando a construção das redes de saúde: um novo projeto.


No dia 16 de maio, em Santa Maria, alguns serviços de saúde mental anteciparam a comemoração do dia da luta antimanicomial (que ocorre, nacionalmente, no dia 18 de maio) e do aniversário da cidade. Ainda que apenas os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) tenham participado desse momento, ressaltamos que o panorama atual da cidade, relativamente ao atendimento à saúde da população, é muito mais amplo. Em seus 154 anos, o município conta com um CAPS II (Prado Veppo), um CAPSad (Caminhos do Sol), um CAPSad infanto-juvenil (Companhia do Recomeço) e um CAPSi (O Equilibrista), além do Ambulatório de Saúde Mental, Unidades Básicas de Saúde, Estratégias de Saúde da Família, Centros de Referência de Assistência Social, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social, clínicas-escola, o Hospital Universitário de Santa Maria e diversos outros dispositivos que tentam formar uma rede de atenção à saúde. Dizemos formar porque, no cenário presente, ainda que tenhamos vários serviços voltados ao acolhimento da população santamariense (e região), pouca articulação se vê entre eles. Há pouco diálogo entre as instituições e pouco conhecimento sobre o encargo de cada uma delas.

Quais demandas são acolhidas nos CAPS? Que pacientes posso encaminhar ao Ambulatório? Que tipo de trabalho se faz no CRAS?

O isolamento dos serviços em suas próprias alocações influencia diretamente no funcionamento geral da saúde no município. Encaminhamentos mal pensados ou baseados no que “eu acho” auxiliam nas famosas “listas de espera” dos serviços, que não dão conta de receber toda a demanda que é encaminhada. O processo de acolhimento (ou de triagem, dependendo da instituição de que falamos) pode ser extenso, levando até meses. Em algumas situações, o caso apresentado pode ser de tal complexidade que, de fato, pensar um local para tratamento requer uma análise ampla do que é exposto pelo indivíduo. No entanto, conhecer as equipes de cada serviço e o seu funcionamento torna-se fundamental para a construção do que entendemos como rede:

A rede de atenção à saúde é composta pelo conjunto de serviços e equipamentos de saúde que se dispõe num determinado território geográfico (...). Estes serviços são como os nós de uma rede: uma unidade básica de saúde, um hospital geral, um centro de atenção psicossocial, um conselho municipal de saúde, etc. Entretanto, a construção de uma rede na saúde implica mais do que ofertas de serviços num mesmo território geográfico. Implica colocarmos em questão: como estes serviços estão se relacionando? Qual o padrão comunicacional estabelecido entre as diferentes equipes e os diferentes serviços? Que modelos de atenção e de gestão estão sendo produzidos nestes serviços? A construção de redes se apresenta como uma tarefa complexa, exigindo a implementação de tecnologias que qualifiquem os encontros entre diferentes serviços, especialidades e saberes. Ter mais serviços e mais equipamentos é fundamental, mas não basta. É preciso também garantir que a ampliação da cobertura em saúde seja acompanhada de uma ampliação da comunicação entre os serviços, resultando em processos de atenção e gestão mais eficientes e eficazes, que construam a integralidade da atenção. São esses processos de interação entre os serviços e destes com outros movimentos e políticas sociais que fazem com que as redes de atenção sejam sempre produtoras de saúde num dado território (Ministério da Saúde, 2009, p.8).

O primordial para o funcionamento em rede é o diálogo e a relação entre os diferentes serviços. Como desenvolvê-lo, quando não se compreende o fazer da instituição? É nesse sentido que propomos a apresentação dos diversos serviços encontrados na nossa cidade, buscando caracterizá-los. Nós, estudantes, estagiários e extensionistas, ainda vinculados à Universidade e amparados por esse vínculo, somos também responsáveis pelo auxílio nessa complexa construção da rede. É fundamental que, do lugar de “estrangeiros” que ocupamos brevemente nessas instituições, possamos questionar o funcionamento de cada uma delas e do papel que ocupam no contexto municipal. Para tal, também precisamos conhecê-las. Precisamos saber o que, teoricamente, se propõe para as suas atuações e quais são seus limites. Nas próximas postagens, nossas discussões se darão nessa direção, para que possamos juntos conhecer a rede que estamos ajudando a construir.

REFERÊNCIA
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de atenção à saúde. Política Nacional de Humanização e Gestão do SUS. Redes de Produção de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.